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O LÍDER ECOSÓFICO



O estudo da Ecosofia foi apresentado, pela primeira vez, no livro As Três Ecologias, pelo autor e filósofo francês, Félix Guatarri – (1930 -1992). Nesta obra, a palavra ecologia é abordada como nunca antes, com um foco científico, interconectado e, sobretudo, ‘eco-lógico’.

O autor aponta que, todos nós, em uma ótica existencial, interagimos com três tipos diferentes de ecologias: a mental/pessoal, a social e a ambiental, através de uma interconexão entre estes fenômenos, que nos demanda uma transversalidade ecossistêmica, mas, também, uma alteridade ‘transdisciplinar’ levando-se em consideração estas três camadas existenciais.

Vejamos em um contexto básico o que são as três ecologias na visão do autor:

Ecologia mental/pessoal – está relacionada a todo o ecossistema que ocorre em nossa mente e em nosso corpo, e que influencia e é influenciado pelos meios social e ambiental.

Ecologia social – está relacionada à interação/influências que temos com o meio social em que convivemos, bem como os ambientes/ lugares e pessoas com que/quem nos relacionamos, de forma que tais relações ou práticas sociais possam fazer, ou não, bem à nossa ecologia pessoal e à ambiental.

Ecologia ambiental - está relacionada à nossa interação pessoal e social com o meio ambiente natural, onde todas as más e boas práticas pessoais e sociais retornam negativa ou positivamente, de forma direta ou indireta, à nossa ecologia pessoal e social.

Com base nestas considerações vistas acima, percebemos o quanto as três ecologias estão interligadas, de forma que duas ou mais ecologias mentais/pessoais formam a ecosofia social, e uma ou mais ecologias sociais formam a ecosofia ambiental. O mesmo processo também ocorre de forma reversa. Tão logo, uma ecologia ambiental também forma as ecologias social e pessoal/mental. Uma influencia positiva ou negativamente sobre a outra, tanto em escala progressiva quanto em regressiva, mas, contudo, inevitável.

Tal processo nos remete à reflexões profundas em diversos campos existenciais, assim como aprofundou-se Felix Guatarri quando apresentou o seu estudo. Na prática, o autor afirma, por exemplo, que os poluentes que destroem a natureza, são retratos da ecosofia ambiental exercida pelo ser humano. Entretanto, é a soma das ecologias pessoal e social, que influencia ou retorna, direta ou indiretamente, nestes mesmos campos (pessoal e social), e assim por diante, em outras associações relacionadas.

Ou seja, tudo que fazemos com a natureza em nossos campos pessoal e social retorna para os mesmos campos.

O Filósofo atenta, de forma contundente, que todas as sociedades, de uma modo geral, estão desequilibradas, alienadas em um estruturalismo reducionista e sistemático, em uma ‘subcultura’ de consumismo massificado, com um bombardeio tecnológico, produtor de diversas subjetividades às três ecologias, com neutralidades destrutivas, com dogmas capitalísticos, mortíferos, e, sem a presença de líderes ou visionários transversais e inovadores.

Neste cenário, remete-se a necessidade de líderes ecósoficos.

Segundo Guatarri, a ecologia mental e social, historicamente, praticada pelo ser humano vem destruindo a ecologia ambiental, de forma desastrosa, já tendo bifurcado o planeta em grandes catástrofes naturais; e o ser humano, em grandes depressões.

Portanto, através desta percepção triádica, é possível estabelecermos a ‘multivalência’ da palavra ecologia em diversos campos, bem como no estudo das lideranças humanas.

O líder ecosófico pode ser um político, um empreendedor, um vendedor, um cidadão, um grupo ou empresa, que, acima de tudo, pratique suas ações levando-se em consideração a ecosofia humana, ou seja, que cuide para que suas práticas pessoais não influenciem negativamente no meio social e ambiental; as sociais, no pessoal e no ambiental; e nem as ambientais no social e no pessoal.

Levando-se em consideração que liderança não é um cargo, mas sim, uma atitude, tão logo o líder ecosófico pode ser qualquer pessoa, ou grupo que tenha esta ‘multipercepção’.

Hoje, mais do que nunca o mundo precisa de lideranças que invertam o modelo de ecosofia que vem sendo historicamente praticado, e que tenham uma responsabilidade social ecosófica, conscientes de que toda boa ou má ação afeta inevitavelmente o meio social e ambiental, e assim por diante.

Pratiquemos, portanto, de forma consciente e pró-ativa, tanto em nossa esfera individual quanto na social, uma boa liderança ecosófica!

Daniel Lascani


 


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